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Não. De forma alguma. Nem um pouquinho. O álcool deve ser completamente banido durante a gravidez. Há diversos estudos que comprovam os riscos da ingestão da bebida alcoólica para o desenvolvimento do bebê. E, mesmo assim, há sempre algum parente da futura mamãe que solta o famoso “só um pouquinho não vai fazer mal”. Mito. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que mulheres grávidas ou mesmo as tentantes não devem ingerir absolutamente nada de álcool. A mesma orientação é dada pelo Ministério da Saúde do Brasil.

Um estudo do Instituto Murdoch Children, em Victoria (Austrália), revelou que mesmo em quantidades insignificantes, o álcool pode ser responsável por alterações sutis na forma com que o rosto do bebê se desenvolve. As alterações nos bebês foram as mesmas tanto para as mulheres que consumiram menos de 7 drinques por semana quanto para aquelas que beberam duas doses por vez.

O estudo acompanhou 1.570 mulheres durante a gestação e o parto. Desse grupo, 27% consumiu pelo menos um pouco de álcool durante a gravidez. Quando as crianças fizeram um ano de idade, os pesquisadores tiraram fotos dos rostos deles nos mais diversos ângulos. Ao analisar os retratos, conseguiram perceber as alterações da face.

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É importante sinalizar que essas mudanças estão longe de ser tão graves quanto a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), que causa danos físicos e mental à criança devido à exposição à substância ainda no útero da mãe. A SAF pode provocar dificuldades de aprendizagem, deformidades ósseas e articulares, defeitos cardíacos e hiperatividade, óbito fetal, microcefalia, parto prematuro; além de características faciais distintas. Essa síndrome é irreversível.  

Outro estudo de 2014, da Universidade de Leeds na Grã-Bretanha, revelou que mesmo em pequenas quantidades, a ingestão de álcool durante no início da gravidez aumenta a chance de o bebê nascer prematuro ou com tamanho menor do que o esperado.

Foram entrevistadas 1.264 mulheres que não apresentavam risco alto de sofrer complicações durante a gravidez. Os pesquisadores britânicos analisaram o consumo de bebidas alcoólicas um mês antes das mulheres engravidarem e durante toda a gestação.

Cinquenta e três por cento (53%) delas beberam duas doses ou mais de álcool por semana durante os primeiros três meses de gravidez. Como resultado, 4,4% dos filhos nasceram com um tamanho menor do que o esperado e 4,3% das mulheres tiveram parto prematuro. Esses valores foram duas vezes maiores entre aquelas que ingeriram mais de duas doses de álcool semanais no primeiro trimestre da gestação.

O estudo ainda concluiu que o risco de parto prematuro foi elevado mesmo entre as mães que ingeriram menor quantidade de álcool em comparação com aquelas que permaneceram sóbrias. Bebidas alcoólicas no mês antes da concepção também influenciaram a gestação: o risco do bebê nascer com tamanho restrito foi mais elevado.

A bebida alcoólica deve ser abolida também durante a amamentação, já que a substância vai para o leite materno e pode deixar o bebê sonolento, mole ou interferir na sua capacidade de sucção.