Toxoplasmose e gestação

A toxoplasmose é uma doença infecciosa causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. Embora seja muito frequente, poucos indivíduos infectados apresentam sintomas. Para pessoas imunossuprimidas e para as grávidas, contudo, os riscos da toxoplasmose são grandes.

A doença pode ser adquirida ou transmitida congenitamente, ou seja, da mãe para o bebê. Ela é adquirida pelo consumo de carne bovina e suína crua ou mal passada, ingestão de frutas, legumes e água contaminados e através de fezes de gatos infectados, sendo que, no Brasil, o contato com animais é a via de contaminação mais frequente.

Na gestação, a infecção ocorre no bebê quando a gestante fica doente durante a gravidez. A gravidade dos sintomas vai depender da idade gestacional. Quanto mais no início da gestação a contaminação acontece, pior é para o bebê.

Os sintomas da doença podem se manifestar em pessoas com defesas imunológicas diminuídas, sendo facilmente confundida com um resfriado ou gripe comuns. Entre os sintomas mais frequentes, podemos citar febre e manchas pelo corpo, dificuldade para enxergar, inflamação ocular, podendo levar à cegueira. Na gestante a infecção pode causar aborto, nascimento prematuro e, no recém-nascido, retardo mental e cegueira.

Para evitar o problema, as gestantes devem adotar medidas preventivas como evitar comer carne crua ou malcozida; lavar as mãos e utensílios com água e sabão após manuseio de carne crua; lavar e higienizar as frutas e verduras antes do consumo; usar luvas para trabalhar com terra; limpar a caixa de areia do gato e trocar a areia diariamente, com luvas; dar ao gato somente ração industrializada, específica para o animal.

O tratamento é recomendado apenas em gestantes, recém-nascidos e pacientes imunodeprimidos contaminados. O diagnóstico é feito por meio de exames clínicos e exames laboratoriais de sangue.

Mitos e verdades da alimentação durante a gestação

Grávida deve comer dobrado

Mito. As necessidades nutricionais de gestantes são diferentes das de uma mulher não grávida. Entretanto, essas diferenças NÃO são quantitativamente tão importantes a ponto de se justificarem grandes modificações no cardápio. No segundo e terceiro trimestre da gestação, a grávida deve aumentar apenas 300kcal/dia e, em termos alimentares, isso não representa grande volume de alimento. O excesso calórico não tem nenhuma vantagem e seus malefícios estéticos e fisiológicos são amplamente conhecidos e podem gerar intercorrências como diabetes gestacional, aumento da pressão arterial e uma série de outros problemas.

Grávida deve comer muita salada crua

Mito. O maior problema relacionado à ingestão de salada crua é o risco de infecção por toxoplasmose. Aproximadamente 54% das gestantes são suscetíveis a esta doença (têm IgG e IgM negativos). A toxoplasmose é uma doença parasitária, geralmente assintomática e, quando contraída durante a gestação, pode levar ao retardo mental, cegueira no recém- nascido e até mesmo abortos. As formas de transmissão incluem contato com as fezes de gatos infectados, ingestão de vegetais e carnes contaminados. Portanto, as grávidas que não são imunes à toxoplasmose devem evitar vegetais crus em restaurantes. Em casa quando bem higienizados (usando solução com cloro) podem ser consumidos.

Grávida pode não deve comer carne crua

Verdade. (vide comer salada). A carne crua deve ser evitada por gestantes não imunes àtoxoplasmose. Elas não devem ingerir c carne crua ou malcozida principalmente de porco, boi, coração de galinha e carpaccio.

Grávida não pode comer comida japonesa

Mito. Muitas grávidas que tem suscetibilidade à toxoplasmose não comem peixe cru. Porém, o peixe não faz parte do ciclo reprodutivo do parasita que causa a doença. Assim, do ponto de vista científico, não há razões para proibir seu consumo na gravidez. Entretanto, por se tratar de uma comida crua, é importante tomar cuidado higiênico/sanitário, como: escolher um restaurante de boa procedência e pedir sempre a “la carte”, evitando consumir comida japonesa exposta em self-services.

Grávida não pode consumir queijos

Verdadeiro, em parte. Queijos moles como brie, camembert e feta, devem ser evitados na gestação. Esses tipos podem ser meio para o desenvolvimento da bactéria Listeria oferecendo risco de infecção gastrointestinal intensa, atingindo o sistema imunológico e podendo levar ao aborto ou ao nascimento prematuro do feto. É indicado o consumo apenas de queijos brancos duros, curados e pasteurizados.

Canjica e cerveja preta aumentam a produção de leite materno

Mito. Não existem alimentos que aumentam a produção de leite. Para produzir leite a mãe precisa descansar, ingerir muita água e  o bebê precisa sugar a mama para estimulá-la. A lactação é um momento especial na vida da mulher. Nesse período, ocorre um aumento das necessidades de nutrientes e essa demanda deve ser suprida com uma alimentação balanceada e de alto valor nutricional. Enquanto as nutrizes acreditarem na necessidade de subterfúgios (alimentos específicos como canjica e cerveja preta, chás, simpatias) para que seu leite seja suficiente e completo, estarão inseguras quanto à sua capacidade inata de amamentar e, portanto, sujeitas ao desmame precoce.

Importância do cálcio na alimentação das gestantes

Garantir o consumo de alimentos ricos em cálcio é fundamental para a saúde da mãe e do bebê. Diversos estudos associam o nutriente à formação adequada do esqueleto do feto e à produção do leite, pela mãe.

Na gestante, o cálcio auxilia no processo de coagulação sanguínea, evitando riscos de hemorragia durante o parto. Também ajuda a manter a pressão sanguínea, os batimentos cardíacos e a contração muscular em ordem, prevenindo câimbras e doenças como a pré-eclâmpsia.

A recomendação de cálcio para mulheres grávidas, acima de 18 anos, é de mil miligramas por dia e ele pode ser facilmente obtido por meio de uma boa alimentação.

Leite e seus derivados são as principais fontes de cálcio, bastando consumir entre três e quatro porções, diariamente, para garantir o aporte necessário.

Confira, abaixo as quantidades de cálcio fornecidas por alguns alimentos:

1 potinho de iogurte natural (220 gramas): 275 miligramas

1 xícara de ricota: 509 miligramas

1 xícara de leite semidesnatado: 293 miligramas

2 fatias de queijo tipo mussarela: 143 miligramas

2 fatias de queijo tipo provolone: 214 miligramas

1 fatia de queijo minas: 137 miligramas

1 xícara de espinafre cozido: 245 miligramas

1 colher de sopa de gergelim: 88 miligramas

12 amêndoas torradas inteiras: 37 miligramas