Como seu intestino se comporta com dietas restritivas

Eu sempre reforço que o intestino saudável traz diversos benefícios para o nosso corpo. Seu desequilíbrio afeta, inclusive, a fertilidade. Por isso mesmo, quero chamar a atenção para alguns efeitos negativos de dietas restritivas no funcionamento deste órgão tão importante na regulação do nosso organismo.

Muitas dietas consideradas saudáveis podem afetar em cheio o nosso popular relógio biológico. Sabemos também que o bom funcionamento do sistema digestivo está diretamente ligado ao que comemos. Então, se você ingere grande quantidade de proteínas ou fibras em excesso, por exemplo, esse funcionamento pode ser afetado.

Dietas à base de proteína e gorduras, tanto podem deixar seu intestino preso como causar diarreia. A proteína de origem animal precisa de fibras para auxiliar na digestão e elas, geralmente, são negligenciadas nas dietas mais proteicas.

Por outro lado, as dietas que priorizam as fibras em detrimento do carboidrato também não são garantia de intestino funcionando direitinho. Se a pessoa não acompanhar a dieta com muitos líquidos, o bolo fecal tende a ficar ressecado e difícil de ser expelido. Ou seja, também prende o intestino. 

 

Dietas líquidas também exigem muita atenção. Como você reduz o consumo de sólidos, vai demorar mais tempo para ir ao banheiro, o que pode deixar seu intestino mais preguiçoso. O mesmo vale para alimentação à base de folhas e vegetais.

Por fim, eu gostaria de dizer a todos que decidirem por fazer qualquer tipo de dieta, que meu intuito aqui não é ditar regras e fazer terrorismo. O que eu quero esclarecer é que todo nutriente tem sua função e retirar qualquer um deles sempre vai gerar um efeito. Por isso, nunca faça uma mudança alimentar drástica  sem o acompanhamento de um profissional da nutrição. 

 

O que são macro e micro nutrientes na alimentação?

Aposto que você não sabe a diferença! Na nutrição a gente trabalha com nomenclaturas para grupos de nutrientes que muitas vezes não é compreendida com clareza pela maioria das pessoas. Por isso, resolvi esclarecer para vocês o que são macro e micronutrientes na alimentação.

 

Pode parecer complexo, mas não é. Vamos começar pelos macronutrientes:

 

Macronutrientes

 

Em sua maioria, os macronutrientes são os responsáveis por nos dar energia. Por isso precisamos deles em grande quantidade, já que fornecem 90% do peso seco da dieta e 100% de sua energia. Neste grupo estão os carboidratos, lipídios (gorduras) e proteínas.

 

Os macronutrientes constituem a maior parte na dieta, por isso mesmo, o equilíbrio alimentar depende da proporção ideal entre eles. Abaixo, vou listar os alimentos fontes de cada um:

 

Carboidratos As principais fontes de carboidratos são os pães, as massas, os grãos, vegetais e açúcares.
Lipídeos São ricos em lipídios,  a manteiga, creme de leite, banha, óleo de fígado de bacalhau, toucinho, queijos, carnes, leite integral, gema de ovo, azeitona, óleos, abacate, nozes, chocolate, coco, castanhas, entre outros.
Proteínas Estes nutrientes podem ser encontrados em carne vermelha, peixe, ovos, cereais integrais, leguminosas e leite.

 

Micronutrientes 

Eles são compostos pelas vitaminas e minerais. A principal função dos micronutrientes é facilitar as reações químicas que ocorrem no nosso corpo. As vitaminas são essenciais para o funcionamento do metabolismo e regulação da função celular. Já os minerais são nutrientes importantes para produção de hormônios, a formação de dentes e ossos e a regulação da pressão sanguínea.

 

Onde encontramos?

 

Cada mineral desempenha um papel específico. Vou listar aqui os principais tipos de minerais e alimentos fontes:

 

Cálcio Pode ser encontrado no leite e derivados.
Ferro Abundante em alimentos como carnes, fígado, gema de ovo, feijão e beterraba.
Magnésio Está presente em alimentos como sementes, amendoim, leite e derivados e grãos integrais.
Sódio  Sua principal fonte na alimentação é o sal, mas ele também está presente em alimentos como queijos, carnes processadas, vegetais enlatados e temperos prontos.
Potássio  Está presente em alimentos como iogurte, abacate, banana, amendoim, leite, mamão e batata.
Zinco  As principais fontes de zinco são os alimentos de origem animal como ostra, camarão, e as carnes de vaca, frango, peixe e fígado.

 

No grupo das vitaminas, a vitamina B está presente nos vegetais de folhas verdes. A vitamina C é encontrada nas frutas cítricas. Já as vitaminas A, D, E e K estão no leite, produtos lácteos, óleos vegetais e vegetais de folhas verdes.

 

Sabor do leite materno é influenciado pela alimentação da mãe

Não são só os nutrientes dos alimentos que você come durante a gravidez que vão para o seu bebê. Um estudo recente mostra que o sabor de alguns deles também passa para o líquido amniótico e leite materno. E, ainda na barriga, o feto já vai se familiarizando com alguns sabores que influenciarão, mais na frente, na aceitação da criança por certos tipos de comida.

Não são todos os alimentos que têm essa capacidade de transmissão de sabores. Conforme observaram os pesquisadores, o alho, a cenoura e o anis são exemplo de ingredientes que conseguem passar tanto os nutrientes como gosto para o líquido amniótico. Já para o leite materno a lista aumenta. Além do anis, alho e cenoura, o hortelã, cominho, eucalipto e outros vegetais também transmitem e aromatizam o leite materno.

O estudo, publicado no The American Journal of Clinical Nutricion, em 2019, mostra que há evidências que indicam que os bebês podem detectar sabores transmitidos pela dieta no leite materno, como alho, baunilha e cenoura, poucas horas após uma única ingestão da mãe. No período de 1 a 4 meses após o parto, a ingestão repetida de uma variedade de vegetais também é suficiente para transmitir o gostinho deles para o leite materno. Para chegar a estas conclusões, os pesquisadores revisaram dezenas de estudos sobre o tema que foram publicado entre de janeiro de 1980 a junho de 2017.

Como eu sempre falo, a nutrição é um processo longo e interligado, que passa de geração para geração. Um casal que quer engravidar precisa se preocupar em ter uma dieta equilibrada muito antes de engravidar, e ter consciência de que o que você come vai influenciar não só na sua saúde, mas, sobretudo, na qualidade da herança genética que vai ser transmitida aos seus descendentes.