Reeducação alimentar NÃO É DIETA restritiva

Vocês que me acompanham já devem ter lido diversas de vezes o termo REEDUCAÇÃO ALIMENTAR. E não por acaso, é o que melhor representa o que eu acredito e defendo na nutrição como uma dieta equilibrada. A denominação, porém, é cercada de muita confusão e uso inadequado. Por isso mesmo, hoje, vou explicar o verdadeiro significado do termo, que não pode, jamais, ser confundido com dieta restritiva.

 

Se você ainda associa reeducação alimentar a um cardápio só de frutas, legumes e verduras, esquece. Também não se pode confundir dieta “disso” ou “daquilo”, com  a reeducação. Neste caso, estou falando é de um processo de reavaliar hábitos e comportamentos diante da comida. Ou seja, não tem a ver com restrição pura e simples, mas uma análise da relação que você tem com os alimentos e, claro, uma mudança de hábitos, para que a alimentação saudável e equilibrada, enfim, faça parte da sua vida a longo prazo, como estilo de vida, e não por um tempo determinado. 

 

Num processo de reeducação alimentar, você não precisa deixar de comer aquilo que gosta, mas pode aprender a comer de forma moderada, consciente, de forma a não prejudicar sua meta de emagrecer ou de permanecer magro, por exemplo. Meu papel é justamente orientar sobre a importância de colocar variedade no prato, ajudar você a fazer uma mudança consciente de hábitos. Ao final, quando você fizer as pazes com a comida, vai ver que é possível comer com prazer e com qualidade. 

 

Promover essa mudança não é fácil e é por isso que buscar ajuda é tão importante. A dica que sempre dou às minhas pacientes é começar as mudanças por algo que você pode sustentar sem tortura. Comer não pode ser um momento de estresse, você deve ter prazer e apreciar o que está comendo. 

 

“Ah, mas se eu comer só o que eu gosto, vou comer só porcaria, então!”. Sim, é verdade! Por isso, é fundamental ir lapidando os seus hábitos (é totalmente possível aprender a gostar de saladas, de frutas etc), adotar o equilíbrio e consciência à mesa. E é aos poucos mesmo. Gosta de tomar refrigerante todos os dias no almoço? Então, você pode começar tomando dia sim, dia não. Depois, uma vez por semana, até parar completamente. 

 

O segredo está em encarar um dia de transformação de cada vez e em ter mais respeito pelo seu corpo. É preciso, sobretudo, paciência. E a este processo damos o nome de REEDUCAÇÃO ALIMENTAR.

 

Como seu intestino se comporta com dietas restritivas

Eu sempre reforço que o intestino saudável traz diversos benefícios para o nosso corpo. Seu desequilíbrio afeta, inclusive, a fertilidade. Por isso mesmo, quero chamar a atenção para alguns efeitos negativos de dietas restritivas no funcionamento deste órgão tão importante na regulação do nosso organismo.

Muitas dietas consideradas saudáveis podem afetar em cheio o nosso popular relógio biológico. Sabemos também que o bom funcionamento do sistema digestivo está diretamente ligado ao que comemos. Então, se você ingere grande quantidade de proteínas ou fibras em excesso, por exemplo, esse funcionamento pode ser afetado.

Dietas à base de proteína e gorduras, tanto podem deixar seu intestino preso como causar diarreia. A proteína de origem animal precisa de fibras para auxiliar na digestão e elas, geralmente, são negligenciadas nas dietas mais proteicas.

Por outro lado, as dietas que priorizam as fibras em detrimento do carboidrato também não são garantia de intestino funcionando direitinho. Se a pessoa não acompanhar a dieta com muitos líquidos, o bolo fecal tende a ficar ressecado e difícil de ser expelido. Ou seja, também prende o intestino. 

 

Dietas líquidas também exigem muita atenção. Como você reduz o consumo de sólidos, vai demorar mais tempo para ir ao banheiro, o que pode deixar seu intestino mais preguiçoso. O mesmo vale para alimentação à base de folhas e vegetais.

Por fim, eu gostaria de dizer a todos que decidirem por fazer qualquer tipo de dieta, que meu intuito aqui não é ditar regras e fazer terrorismo. O que eu quero esclarecer é que todo nutriente tem sua função e retirar qualquer um deles sempre vai gerar um efeito. Por isso, nunca faça uma mudança alimentar drástica  sem o acompanhamento de um profissional da nutrição. 

 

O que são macro e micro nutrientes na alimentação?

Aposto que você não sabe a diferença! Na nutrição a gente trabalha com nomenclaturas para grupos de nutrientes que muitas vezes não é compreendida com clareza pela maioria das pessoas. Por isso, resolvi esclarecer para vocês o que são macro e micronutrientes na alimentação.

 

Pode parecer complexo, mas não é. Vamos começar pelos macronutrientes:

 

Macronutrientes

 

Em sua maioria, os macronutrientes são os responsáveis por nos dar energia. Por isso precisamos deles em grande quantidade, já que fornecem 90% do peso seco da dieta e 100% de sua energia. Neste grupo estão os carboidratos, lipídios (gorduras) e proteínas.

 

Os macronutrientes constituem a maior parte na dieta, por isso mesmo, o equilíbrio alimentar depende da proporção ideal entre eles. Abaixo, vou listar os alimentos fontes de cada um:

 

Carboidratos As principais fontes de carboidratos são os pães, as massas, os grãos, vegetais e açúcares.
Lipídeos São ricos em lipídios,  a manteiga, creme de leite, banha, óleo de fígado de bacalhau, toucinho, queijos, carnes, leite integral, gema de ovo, azeitona, óleos, abacate, nozes, chocolate, coco, castanhas, entre outros.
Proteínas Estes nutrientes podem ser encontrados em carne vermelha, peixe, ovos, cereais integrais, leguminosas e leite.

 

Micronutrientes 

Eles são compostos pelas vitaminas e minerais. A principal função dos micronutrientes é facilitar as reações químicas que ocorrem no nosso corpo. As vitaminas são essenciais para o funcionamento do metabolismo e regulação da função celular. Já os minerais são nutrientes importantes para produção de hormônios, a formação de dentes e ossos e a regulação da pressão sanguínea.

 

Onde encontramos?

 

Cada mineral desempenha um papel específico. Vou listar aqui os principais tipos de minerais e alimentos fontes:

 

Cálcio Pode ser encontrado no leite e derivados.
Ferro Abundante em alimentos como carnes, fígado, gema de ovo, feijão e beterraba.
Magnésio Está presente em alimentos como sementes, amendoim, leite e derivados e grãos integrais.
Sódio  Sua principal fonte na alimentação é o sal, mas ele também está presente em alimentos como queijos, carnes processadas, vegetais enlatados e temperos prontos.
Potássio  Está presente em alimentos como iogurte, abacate, banana, amendoim, leite, mamão e batata.
Zinco  As principais fontes de zinco são os alimentos de origem animal como ostra, camarão, e as carnes de vaca, frango, peixe e fígado.

 

No grupo das vitaminas, a vitamina B está presente nos vegetais de folhas verdes. A vitamina C é encontrada nas frutas cítricas. Já as vitaminas A, D, E e K estão no leite, produtos lácteos, óleos vegetais e vegetais de folhas verdes.