GESTAÇÃO APÓS CIRURGIA BARIÁTRICA

Dos pacientes que se submetem à cirurgia bariátrica, 75 a 80% são mulheres em idade fértil que, depois do procedimento, apresentam melhora significativa na fertilidade, favorecendo a ocorrência da gravidez.

O planejamento da gravidez é particularmente importante em pacientes previamente submetidas à essa cirurgia. Não se recomenda gravidez no período inferior a 12 meses subseqüentes à realização do procedimento pois, neste período, além de a perda de peso ser mais intensa, o organismo ainda não se adaptou totalmente à situação.

A preocupação com a mulher em idade fértil e que foi submetida à cirurgia bariátrica deve preceder ou coincidir com a concepção. Ao primeiro sinal de atraso menstrual deve ser iniciada intervenção nutricional apropriada.

Os cuidados nutricionais são ainda mais importantes neste público porque podem ocorrer deficiências, tanto na ingestão de micronutrientes quanto na absorção dos mesmos. Esse problema acontece porque a cirurgia bariátrica afeta os locais onde grande parte dos nutrientes são absorvidos. É muito comum que aconteça deficiência de ferro, ácido fólico e cálcio. A vitamina B12 também costuma ser merece atenção especial. As carnes são a maior fonte dessa vitamina e, como os pós-operados podem ter dificuldade em consumir esse alimento. a quantidade de vitamina B12 tende a ser deficitária.

As orientações nutricionais visam fazer com que a gestante compreenda as dificuldades que terá para a ingestão alimentar devido à redução do volume gástrico, bem como de ressaltar a importância da ingestão de alimentos de elevado teor nutritivo.

A dieta deve ser fracionada, de alto teor protéico, respeitando o horário das refeições. Recomenda-se que a alimentação seja realizada devagar, com duração aproximada de 40 minutos,  boa mastigação dos alimentos e sem a ingestão de líquidos. Além disso, deve-se reduzir o uso de óleo e temperos industrializados no preparo dos alimentos.

O acompanhamento nutricional e clínico multiprofissional de gestantes pós-cirurgia bariátrica pode prevenir riscos de complicações por deficiências de nutrientes.

O aleitamento materno não é contra indicado e devendo ser amplamente estimulado.

CUIDADOS QUE TODA MAMÃE PRECISA TER COM A ALIMENTAÇÃO

Gerar um novo ser exige esforço do organismo. Além de o corpo gastar mais calorias nesta fase, existe a necessidade de a mãe estar bem nutrida para garantir a saúde do bebê e a sua própria. Para atender esses quesitos, muitas grávidas cometem equívocos alimentares e o primeiro deles é levar ao pé da letra a recomendação de comer por dois. Isso é um mito! É verdade que as mamães precisam de mais energia e aporte de nutrientes. Mas é preciso ficar atento aos limites e à reais necessidades do organismo, ou o ‘comer por dois’ poderá levar a um indesejável ganho de peso, ruim tanto para a mãe quanto para o bebê.  Até a décima segunda semana de gravidez, não é preciso fazer nenhuma alteração na quantidade de calorias ingeridas. A partir dessa fase é que existe a demanda de ajuste.

Normalmente, essas necessidades podem ser satisfeitas com uma porção a mais de leite e derivados (ou carne, ou peixe, ou ovos, ou leguminosas), mais uma porção de frutas ou verduras, mais uma porção de cereais e derivados. Isso pode variar, dependendo de alguns parâmetros, como nível de atividade física, por exemplo.

Contudo, com a escolha de alimentos mais saudáveis, a mãe não compromete o limite de ganho de peso durante a gravidez. O grande problema é colocar nas porções a mais as chamadas calorias vazias, que só servem para ganhar peso. Em vez de alimentos saudáveis, é comum as mães se renderem aos doces, produtos de padaria, fast food e congelados em geral.

Para uma alimentação segura, completa e variada, o ideal é fazer entre cinco e seis refeições diárias, não deixando um intervalo de mais de três horas entre elas. Também é preciso ter cuidado especial com a ingestão de alguns nutrientes, já que eles serão essenciais para a saúde da gestante e para a boa formação do bebê.

Muito importante para o desenvolvimento saudável dos ossos e dentes do bebê, o consumo de cálcio também deve ser criterioso.Se a ingestão desse nutriente for insuficiente, o bebê vai retirar o mineral dos próprios ossos da mãe. É possível aumentar o aporte de cálcio ingerindo leite e derivados, folhas verdes, feijão, laranja, salmão, sardinha, semente de gergelim e castanha do pará.

O consumo de ácido fólico é indicado antes mesmo de a mulher engravidar, já que essa vitamina  garante um bom desenvolvimento do tubo neural do bebê. Além da versão em suplementos, sempre recomendada pelos médicos, a vitamina deve ser ingerida “in natura”, em leguminosas (feijão, ervilhas, lentilhas), vegetais de folha verde, cereais pouco processados, nozes, amendoins e castanhas.

Durante a gestação, as necessidades de ferro também são aumentadas. O ferro é essencial para o crescimento e metabolismo energético do bebê e para prevenir anemia na gestante.

Alimentos ricos em vitamina C, como laranja, limão, acerola, brócolis e tomate, ajudam a fortalecer o sistema imunológico, prevenindo infecções, gripes e resfriados. Além disso, ajudam na absorção do ferro.

E não deixe de consumir muitas fibras. Elas são indispensáveis para o bom funcionamento do intestino e evitam a constipação intestinal, um problema frequente entre as grávidas. Além disso, elas aumentam a sensação de saciedade.